O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve anunciar nesta quarta-feira (08/07) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passará de 30% para 32%. A medida tem como objetivo reduzir os impactos da variação do preço internacional do petróleo.
A mudança, no entanto, gera preocupação em parte do setor automotivo, principalmente em relação aos veículos mais antigos ou importados que não foram projetados para operar com uma concentração maior de etanol.
O principal ponto de atenção é a compatibilidade dos materiais do sistema de combustível. O etanol possui capacidade de absorver água, o que pode favorecer processos de corrosão e acelerar o desgaste de componentes que entram em contato direto com o combustível.
Entre as peças que podem ser afetadas estão o tanque, a bomba de combustível, as linhas de combustível, os bicos injetores, a câmara de combustão, os pistões e as vedações. Especialistas ressaltam que a resistência desses componentes depende de testes específicos e do projeto de cada veículo.
Outro efeito esperado é um leve aumento no consumo de combustível. Como o etanol possui menor poder calorífico do que a gasolina, é necessário um volume maior para produzir a mesma quantidade de energia, embora essa diferença possa ser pouco perceptível no uso diário.
No mercado de manutenção, oficinas alertam que borrachas e mangueiras podem ressecar, enquanto bombas e bicos injetores podem sofrer oxidação. Entre os primeiros sinais estão dificuldade na partida, marcha lenta irregular, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações.
Os riscos são maiores em veículos fabricados há cerca de 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura de combustível. Já os modelos modernos utilizam a Unidade de Controle Eletrônico (ECU), responsável por monitorar o funcionamento do motor e corrigir continuamente a injeção de combustível.
Além disso, o aumento da concentração de etanol pode acelerar o entupimento do filtro de combustível ao desprender resíduos acumulados no tanque e também reduzir a vida útil das velas de ignição em motores que não foram desenvolvidos para essa nova proporção.
Apesar dos alertas, especialistas destacam que eventuais problemas tendem a ocorrer principalmente em veículos que não foram projetados para operar com concentrações mais elevadas de etanol ou que utilizam componentes incompatíveis com esse tipo de combustível.
Fonte: Rádio Mega Hits / O Noticiário / Divulgação

