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quarta-feira, março 25, 2026

TRAGÉDIA DA ENCHENTE EM UBÁ COMPLETA 1 MÊS DE LUTO, RECONSTRUÇÃO E PROMESSAS


Um mês após a enchente histórica que atingiu Ubá na noite de 24 de fevereiro de 2026, a cidade ainda vive os reflexos de uma das maiores tragédias de sua história. O que começou como um temporal intenso rapidamente se transformou em um cenário de destruição, deixando mortos, desaparecidos, centenas de imóveis alagados e um impacto devastador sobre o comércio local.
Naquela noite, o volume extremo de chuva fez o Rio Ubá transbordar em poucos minutos, invadindo ruas, casas e estabelecimentos comerciais. Regiões como a Avenida Beira-Rio e o calçadão foram tomadas pela água, arrastando veículos, destruindo estruturas e deixando um rastro de lama e prejuízos. Famílias tiveram que sair às pressas, muitas sem conseguir salvar qualquer pertence.
Nos dias seguintes, o trabalho de resgate mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e voluntários. As buscas por desaparecidos se estenderam por semanas, até a confirmação das vítimas fatais, encerrando um ciclo de angústia para familiares, mas deixando marcas profundas na cidade. Cada nome passou a representar não apenas uma estatística, mas histórias interrompidas por uma tragédia que ainda ecoa na memória coletiva.
Enquanto a cidade tentava se reorganizar, Ubá passou a receber uma série de visitas de autoridades políticas. O governador e vice de Minas Gerais estiveram no município poucos dias após o desastre, acompanhando ações emergenciais de limpeza e prometendo apoio do Estado na reconstrução. Em seguida, foi a vez do presidente Lula visitar a cidade, sobrevoar áreas atingidas e anunciar medidas de auxílio às famílias e ao setor produtivo, além de deputados e ministros.
Entre as promessas, estiveram a liberação do saque do FGTS para trabalhadores afetados, antecipação de benefícios sociais, linhas de crédito para empresários e o Auxílio Reconstrução, no valor de R$ 7.300 por família atingida. Também foram anunciadas facilidades para acesso a financiamentos e medidas para estimular a retomada econômica.
Apesar das iniciativas, um mês depois, a realidade ainda é desafiadora. Levantamento da Associação Comercial de Ubá aponta que cerca de 94% dos estabelecimentos comerciais sofreram danos graves ou perdas totais. Mais de mil empresas foram afetadas diretamente, sendo que 162 comerciantes relataram ter perdido tudo.
O impacto econômico é expressivo: o prejuízo estimado chega a R$ 650 milhões. Mais de 50% dos empresários ainda correm o risco de encerrar suas atividades, seja de forma temporária ou definitiva. Com isso, aproximadamente 5,7 mil empregos diretos estão ameaçados, o que pode atingir cerca de 6 mil famílias que dependem dessa renda.
Em meio às dificuldades, surgem também sinais de resistência. Alguns comerciantes iniciaram processos de reconstrução, adaptaram espaços ou buscaram alternativas para manter as atividades. Outros, no entanto, ainda avaliam se conseguirão recomeçar.
A cidade segue em estado de reconstrução — física e emocional. A lama já não domina as ruas como nos primeiros dias, mas as marcas permanecem nas paredes, nos negócios fechados e, principalmente, na memória dos ubaenses.
Um mês depois, Ubá ainda chora suas perdas, tenta se reerguer com esforço coletivo e observa, com expectativa, a concretização das promessas feitas. Entre o luto e a esperança, a cidade escreve, dia após dia, um novo capítulo de sua história.
Fonte: Rádio Mega Hits / Divulgação