O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, na editoria de Economia, do dia 31/08/2015, fez uma excelente matéria destacando a relação dos restaurantes de comida
mineira na capital paulistana com os proprietários, que, em sua maioria, são
naturais de Senador Firmino. A seguir a matéria na íntegra.
“Pequena cidade de Minas Gerais exporta
donos de restaurantes para São Paulo”
Moradores de Senador Firmino controlam quase 50
locais especializados em comida mineira na capital paulista
POR THIAGO HERDY
SÃO
PAULO. Irmãos, primos e ‘cumpadis’ de várias famílias da pequena cidade de
Senador Firmino, no interior de Minas Gerais, conquistaram juntos um
"Eldorado" na capital paulista. Eles administram quase 50
restaurantes especializados em comida mineira na cidade, número que avança a
cada mês a despeito da crise econômica e da saudade de casa. Em comum, as casas
oferecem o que não pode faltar na mesa em Minas: carne de porco, torresmo,
linguiça e, claro, doce de leite e cachaça.
A
saga dos firminenses em São Paulo
começou há 24 anos, quando os irmãos Carneiro percorreram os 650 km que separam Senador
Firmino da capital paulista e fundaram na Praça Benedito Calixto, no coração do
bairro Pinheiros, o Consulado Mineiro, hoje um dos mais famosos restaurantes de
comida mineira na capital. O sucesso da empreitada e a falta de perspectiva da
maioria dos moradores na cidade natal - que tem 7 mil habitantes e vive
basicamente da agricultura - atraiu a atenção dos conterrâneos. Não deu outra:
desembarcaram em São Paulo
nos anos seguintes para trabalhar na cozinha, comandar bandejas e até a faxina.
Com
relação baseada em uma confiança mútua, iniciou-se um movimento moto-contínuo:
à medida em que ganhavam experiência, garçons viravam gerentes, gerentes
passavam a comandar cozinha e chefes deixavam a casa do momento para abrir o
próprio negócio. A lista de restaurantes com digital de Senador Firmino hoje só
cresce: tem o Graça Mineira, Tempero das Gerais, Encontro Mineiro, Rancho de
Minas e Varanda Mineira. Raízes de Minas, Jóia de Minas, Magia de Minas,
Estrela di Minas, Segredo de Minas e Casarão de Minas. Estação das Gerais,
Matriz mineira, Panela de Minas, Consagrado Mineiro, O Mineiro, Bom di Minas, e
por aí vai.
-
Nenhum restaurante briga com outro, somos todos unidos. É tudo irmão, primo,
compadre, um dando força pro outro. Sozinho você não vai muito longe, não -
explica Davidson Aparecido Moreira Nogueira, de 26 anos, há oito anos em São Paulo e já
proprietário de dois restaurantes em sociedade com os irmãos: o Jeitinho de
Minas e o Praça de Minas.
Mais
velho de sete filhos ("a responsabilidade chegou mais cedo pra mim"),
Davidson repete nas casas pratos que servem duas ou três pessoas e não faltavam
na roça. O mais famoso é o mexidão mineiro (carne de sol desfiada, arroz, feijão,
ovo, couve, torresmo e tutu de feijão, R$ 69,90). Fazem sucesso, também, a
costelinha interior (costela suína com linguiça, arroz, tutu e couve, R$ 64,90)
e o lombo mineiro (lombo assado, arroz, feijão tropeiro, banana a milanesa e
mandioca frita, R$ 63,90).
-
A gente trabalha com o mais simples possível - resume, lembrando que também
inclui no cardápio outras opções nem tão tradicionais e que fazem sucesso entre
paulistas, como a picanha do chefe (picanha na pedra ao alho, arroz, vinagrete,
farofa e polenta, R$ 89,90) e o filé mignon à parmegiana (acompanha arroz e
fritas, R$ 84,90).
Até
a tradicional colônia japonesa em
São Paulo se rendeu à comida comandada pelo pessoal de Senador
Firmino. Gostam mais de pratos ensopados, como a feijoada, por exemplo.
-
É cliente fiel, mesmo. Não só gosta como traz cliente à vontade - conta
Davidson.
Se
em Minas são as mulheres que comandam a cozinha, nos restaurantes em Sampa os
homens assumem a função. Por questões de custo e logística, o queijo dos
restaurantes raramente é um autêntico mineiro, tampouco o frango da maioria dos
pratos é caipira. Mas, a compensação vem com o doce de leite - muitos
prestigiam o tradicional produzido pela marca Sérvulo, em Senador Firmino -,
e na cachaça - a tradicional Jeremias, da região natal, é figura carimbada nos
cardápios.
A
crise econômica não assusta os conterrâneos, garante o empresário mineiro. Os
altos preços de locação em
São Paulo e a dificuldade de encontrar mão de obra de
qualidade preocupam mais. Eles se encontram semanalmente no futebol com cerveja
da noite de segunda-feira. O resto é trabalho. Apesar do sucesso na capital
paulista, o desenho do futuro também é parecido entre eles, garante Davidson:
-
Um dia a gente volta pra terra, pra onde nasceu. Aqui é pra ganhar; lá, pra
viver. Pra viver, lá não tem igual.
SERVIÇO
Consulado
Mineiro: Praça Benedito Calixto, 74 - Pinheiros
Jeitinho
de Minas: Rua Conde de Porto Alegre, 1639 - Campo Belo
Praça
de Minas: Rua Doutor Rafael de Barros, 77- Paraíso
Raízes
de Minas: Av. dos Carinás, 333 - Moema
Graça
Mineira: R. Surubim, 415 - Cidade Monções

