Belo Horizonte receberá, em fevereiro, a primeira
usina piloto de reciclagem de carros da América Latina. Com a unidade, 95% dos
componentes de veículos em fim de vida útil serão reaproveitados. A usina será
instalada no Campus II do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas
Gerais (Cefet-MG). O projeto é uma parceria do Cefet com a Agência de
Cooperação Internacional do Japão (Jica) e a empresa Kaiho Sangyo, líder em
reciclagem de veículos no país oriental.
A Jica investiu R$1 milhão na formação de professores
e técnicos para a unidade. Eles passarão uma temporada no Japão para aprender
as técnicas de reciclagem de veículos, que serão utilizadas na nova usina. No
Japão, a prática é considerada despoluente e, diferentemente do Brasil, conta
com legislação específica. "No Brasil, joga-se na prensa e não se retira o
que pode ser reaproveitado. Já no Japão, é reciclado combustível, fiação de
cobre, estofamento, tecidos, platina, catalisador e até ouro e prata dos
circuitos eletrônicos dos computadores de bordo", explica Márcio Basílio,
diretor-geral do Cefet.
De acordo com ele, a utilização da sucata ferrosa
dos veículos reciclados reduz em até 56% o consumo de energia na produção de
aço se comparado com a fabricação desse material a partir do minério de ferro.
No caso do alumínio e cobre, a redução de energia supera os 90%. "Diminui
a necessidade de retirar isso da natureza. É uma economia de recursos
naturais", afirma. Conforme reportagem do jornal Hoje em Dia, a economia
também chega a recursos preciosos, como ouro e prata. Em uma tonelada de sucata
dos carros, por exemplo, é possível recuperar 28 gramas de ouro.

