Duas famílias de refugiadas da guerra da Síria,
vivem atualmente em Visconde do Rio Branco. A primeira família, do casal Símon
e Mouna, chegou à cidade em maio de 2014. Já a segunda, de Majd e Aniesa, foi
recebida em novembro. A acolhida foi realizada pela Comunidade da Graça, e
possibilitada através da Missão Mais no Mundo. Ao todo, nove refugiados vivem
atualmente na cidade, em busca de um recomeço. As duas famílias fugiram do país
de origem em decorrência de um conflito que já dura cinco anos e estima-se que
tenha vitimado mais de 220 mil pessoas.
Integrantes da igreja descobriram a possibilidade de
ajudar cristãos fugindo da guerra através da internet. Com a Missão Mais no
Mundo, assinaram contrato se comprometendo a promover, durante período de um
ano, as despesas de moradia, alimentação, saúde e outras essenciais para as
famílias. Ainda, os auxiliam no aprendizado do português e na inserção no
mercado de trabalho.
A família de Símon, Mouna e os filhos Antony, Jesse
e uma recém nascida, foi a primeira a chegar. Símon, que atuava como ourives na
Síria, teve sua casa e sua loja atingidas por uma bomba na mesma noite, vagando
pelas ruas com a família até encontrar abrigo na missão. “Eles eram ricos lá, a
loja dele era muito bem equipada e da noite para o dia perderam seus bens. Só
não perderam a família, que é o mais importante, e assim buscam recomeçar”,
conta o pastor Luiz Carlos Lima.
Seis meses depois da chegada da primeira família,
uma surpresa: um casal conhecido entrou em contato pedindo ajuda. Majd Abd
Radbad e Aniesa, junto com as filhas Nicole e Sandra, também fugiram da Síria,
e contaram com atravessadores para chegar à Jordânia. Lá, sofriam preconceito
por serem cristãos em meio à maioria muçulmana. “O custo de vida lá é muito
alto e nos sentíamos sufocados, sem esperança de ascensão social, pois não
conseguimos empregos dignos. Milhares de refugiados abarrotaram o país, sendo
que a população não nos vê com bons olhos”, contou Majd.
O ponto mais crítico para a família foi quando um
homem começou a observar Nicole, de apenas dez anos, com interesse em se casar
com ela. “Os islâmicos chegam a sequestrar as meninas e fazem o casamento
forçado, como também ocorrem casos em que matam os pais para ficarem com as
filhas, que se convertem à força para a religião deles”, contou Majd. Com mais
este agravante, o casal resolveu pedir ajuda para Símon e Mouna, a primeira
família refugiada em Visconde do Rio Branco, para que pudessem vir para o
Brasil. “Como grande parte dos irmãos da Comunidade da Graça já amparavam a
primeira família, foi preciso mobilizar pessoas de fora para recebermos a
segunda. Ganhamos ajuda do padre da paróquia principal para completar o valor
das passagens, ganhamos uma geladeira do prefeito, quatro amigos dividem o
aluguel, enfim, tem sido um trabalho de mobilização social que estamos
empreendendo e, graças a Deus, o coração das pessoas tem se movido para isso”,
disse o Pastor Luiz Carlos.
Atualmente, todos os refugiados tem aulas de
português, e as crianças já estão na escola. Símon atua em uma joalheria e a
Comunidade da Graça busca doações para adquirir equipamentos que o possibilitem
voltar a fabricar jóias, como fazia na Síria. Já Majd, que atuava no país de
origem como “pedreiro de pedras decorativas” demonstra talento na área da
construção civil e também já está empregado.
Informações sobre como ajudar as famílias sírias
refugiadas em Visconde do Rio Branco podem ser obtidas pelo telefone (32)
3551-6824. Saiba mais sobre como acolher cristãos refugiados de diversas
guerras acessando o site da Missão Mais no Mundo: http://maisnomundo.org/projetos/refugiados/.
Transcrito
do Site Ubá em Pauta

